Duas pessoas morreram e 12 sofreram ferimentos leves, depois de uma explosão em uma loja de fogos de artifício que destruiu ontem um quarteirão em Santo André, no ABC paulista. A explosão aconteceu na Vila Pires, bairro de classe média, às 12h32, e provocou um tremor que pôde ser sentido num raio de 1,5 km. Ana Maria Martins, que trabalhava como doméstica na casa nos fundos da loja, e Denian Castellani, de 41 anos, primo do dono do estabelecimento, Sandro Luiz Castellani, morreram no local. Cem pessoas ficaram desalojadas. Os bombeiros encerraram a procura por vítimas às 20h30.
A prefeitura de Santo André chegou a anunciar 11 mortos no início da tarde, mas depois corrigiu a informação. O incidente teve início com explosões menores na Pipas&Cia., seguida de uma maior, que arremessou carros e atingiu grande parte das casas da Rua Américo Guazelli. Quatro residências foram destruídas e outras 30 tiveram vidros quebrados, portas arrancadas e rachaduras. A Defesa Civil bloqueou o acesso à rua, que ficou coberta de lama, por causa da chuva que caiu à tarde.
"Escutei um estrondo e saí. Depois veio um maior, que me arremessou", diz a assistente de Recursos Humanos Mabel Carvalho, de 36 anos. Nesse momento havia fogo na rua e algumas casas haviam desabado. Mabel retornou com bombeiros para retirar seu filho de 20 anos e o irmão Alexandre, de 32, que tem deficiência mental - e costumava passar a tarde "sentadinho na porta da loja". "Parte do meu sobrado tinha desabado e eles não conseguiam sair." Moradores relatam que uma grande nuvem negra cobriu o céu e havia alguns focos de incêndio na rua após as explosões. Os bombeiros chegaram cerca de dez minutos depois e logo controlaram o fogo.
O proprietário, Castellani, teria permissão apenas para funcionar como bazar. "Mas todos sabiam que ele vendia essas coisas (fogos)", diz a fisioterapeuta Ana Lúcia Boiani, de 37 anos. Ela diz que os vizinhos brigaram diversas vezes com Castellani, com receio de que uma tragédia pudesse acontecer. As queixas teriam começado no início da década.
De acordo com o delegado Luis Carlos dos Santos, titular da Seccional de Santo André, foram recolhidos indícios de que os responsáveis pelo lugar estavam manipulando explosivos clandestinamente. "Localizamos muitas varetas usadas na montagem de busca-pés", afirmou. A fabricação ou manipulação de fogos de artifício é proibida em área urbana. Outro indício é o estrago causado na área. A polícia encontrou, em um dos quartos da loja, 300 kg de foguetes e bombas. Para comparar, uma bomba aérea, utilizada em guerras, varia entre 100 kg e 400 kg.
Carlos Cesar Ramos, de 42 anos, cunhado de Castellani, negou que existisse fabricação de fogos. Os explosivos seriam apenas estocados no local. Castelanni não foi localizado. A polícia abriu inquérito para apurar as responsabilidades.
Fonte: Estadão
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