Um poderoso terremoto atingiu pela segunda vez o arquipélago da Indonésia nesta quinta-feira, enquanto as equipes de resgate ainda lutavam para socorrer os sobreviventes do tremor do dia anterior, que matou mais de 500 pessoas. O número de vítimas não para de crescer. Num boletim divulgado pela manhã, o saldo era de 200 mortos. Agora, o Ministério de Assuntos Sociais do país confirmou o trágico saldo de 529 mortos e 440 pessoas gravemente feridas, informa a agência AP.
"Não subestime o desastre. Estamos preparados para o pior e faremos tudo que pudermos para ajudar as vítimas", afirmou o presidente Susilo Bambang Yudhoyono, em Jacarta, momentos antes de embarcar num avião com destino a Pandang, cidade mais afetada pelo terremoto. Capital da província de Sumatra Ocidental, Padang tem 900 mil habitantes e tornou-se o foco imediato dos esforços humanitários. Do total de mortes, 376 foram registradas em Pandang, e o restante em cinco distritos vizinhos. "Isto é um desastre em grande escala", afirmou ministro da Saúde, Siti Fadilah Supari, a uma emissora de TV local.
Já era esperado um aumento significativo do número de mortes, uma vez que milhares de pessoas continuam soterradas sobre os escombros dos edifícios em áreas densamente povoadas da ilha de Sumatra, a mais atingida pelo tremor de 7,6 graus de magnitude da quarta-feira (30). De acordo com autoridades locais, o segundo terremoto, com 6,8 graus na escala Richter, foi registrado às 9h31 de hoje (22h31 da quarta-feira 30, em Brasília), a 280 km do epicentro do terremoto anterior.
Prédios de vários hospitais, mesquitas, escolas e shoppings ficaram em ruínas. Uma transmissão da "TVOne" mostrou imagens de máquinas pesadas tentando romper camadas de cimento em busca de mais de 30 alunos. Pais de estudantes que não retornaram para casa passaram a noite acordados à espera de algum sinal de vida embaixo dos escombros.
"O rosto de minha filha continua aparecendo nos meus olhos, na minha mente. Não consigo dormir, estou esperando vê-la novamente", afirmou uma mulher, identificada apenas como Imelda, à emissora de TV. De acordo com ela, a garota de 12 anos estava na escola para ter aula de ciências. "Ela é uma boa filha e muito inteligente. Eu realmente a amo. Por favor, Deus, ajude-a. Espero que os socorristas possam ajudá-la a sair daqui", acrescentou a mãe, com lágrimas nos olhos.
Um alerta de tsunami chegou a ser emitido pelo Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico, mas foi cancelado.
A agência de meteorologia da Indonésia disse que o tremor inicial de 7,6 graus na escala Richter ocorreu a 50 quilômetros da costa de Pandang, no sul da Indonésia, na mesma região em que um tsunami em 2004 provocou a morte de mais de 230 mil pessoas em vários países.
Testemunhas disseram que moradores de Pandang e outras cidades deixaram suas casas e prédios. "As pessoas estão em pânico. Elas estão saindo correndo dos prédios... Há vários prédios que desabaram", disse uma testemunha não identificada em Pandang à emissora de "MetroTV". O teto do aeroporto de Pandang desabou com o tremor, segundo imagens da "MetroTV".
"No momento, eu não consigo ver corpos, apenas casas destruídas. Alguns estão parcialmente destruídas, outras completamente. As pessoas estão muito apavoradas", disse uma testemunha chamada Adi à emissora de televisão.
O abalo pode ser sentido em prédios da capital indonésia, Jacarta, a centenas de quilômetros de distância do epicentro. O terremoto também foi sentido em Cingapura e Malásia.
Padang, a capital da província de Sumatra, na Indonésia, está localizada em uma região de grande atividade sismica chamada "Anel de Fogo", onde a placa Indo-Austrália encontra a placa Eurasia, provocando tremores regularmente e, às vezes, terremotos.
Fonte: Uol
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